A assistência material é um direito do passageiro que visa minimizar os transtornos causados pelo cancelamento. Ela deve ser oferecida gratuitamente pela companhia aérea, de acordo com o tempo de espera no aeroporto:
•A partir de 1 hora: Comunicação (internet, telefone).
•A partir de 2 horas: Alimentação (voucher, refeição, lanche).
•A partir de 4 horas: Hospedagem (em caso de pernoite no aeroporto) e transporte de ida e volta para o local. Se o passageiro estiver em sua cidade de domicílio, a empresa pode oferecer apenas o transporte para sua residência e desta para o aeroporto.
Em caso de cancelamento de voo, o passageiro tem o direito de escolher uma das seguintes alternativas, sem custo adicional:
•Reembolso integral: Devolução do valor total da passagem, incluindo a taxa de embarque. O prazo para reembolso é de 7 dias a partir da solicitação do passageiro.
•Reacomodação: Ser reacomodado em outro voo da mesma companhia ou de outra companhia aérea, caso não haja disponibilidade na empresa original, para o mesmo destino e na primeira oportunidade.
•Remarcação: Remarcar o voo para uma nova data e horário de sua conveniência, sem custo, dentro do prazo de validade da passagem.
•Execução por outra modalidade de transporte: A empresa pode oferecer transporte terrestre, marítimo ou fluvial, se for o caso, para que o passageiro chegue ao seu destino.
É importante ressaltar que a escolha entre essas alternativas é do passageiro. O direito à assistência material continua valendo mesmo que o passageiro opte pela reacomodação ou remarcação. No entanto, se o passageiro optar pelo reembolso, a assistência material não é mais obrigatória.
A indenização por danos morais visa compensar o sofrimento, a angústia, a frustração e o abalo psicológico causados pelo cancelamento do voo. Já a indenização por danos materiais busca ressarcir os prejuízos financeiros diretos, como perda de diárias de hotel, passeios, eventos, ou custos com transporte alternativo que não foram cobertos pela companhia aérea.
Para que a indenização seja concedida, é necessário comprovar o nexo de causalidade entre o cancelamento do voo e os danos sofridos. Ou seja, é preciso demonstrar que os prejuízos foram uma consequência direta do cancelamento.
Para reivindicar seus direitos e, se for o caso, buscar indenização por danos morais e materiais, é fundamental seguir alguns passos e reunir a documentação necessária:
1.Documente tudo: Guarde todos os comprovantes relacionados ao voo (passagem, e-ticket, cartão de embarque), bem como qualquer comunicação da companhia aérea sobre o cancelamento. Anote horários, nomes de funcionários, e tire fotos ou faça vídeos da situação no aeroporto, se possível.
2.Guarde os comprovantes de gastos: Mantenha notas fiscais e recibos de todos os gastos extras que você teve em decorrência do cancelamento (alimentação, transporte, hospedagem, etc.).
3.Tente resolver diretamente com a companhia aérea: Inicialmente, procure a companhia aérea no aeroporto ou através dos canais de atendimento (SAC, e-mail, chat) para tentar resolver a situação amigavelmente. Registre o número do protocolo de atendimento.
4.Registre uma reclamação na ANAC: Se a companhia aérea não resolver o problema, registre uma reclamação formal na plataforma Consumidor.gov.br, que é monitorada pela ANAC. Essa reclamação pode servir como prova em um eventual processo judicial.
5.Busque orientação jurídica: Se a situação não for resolvida administrativamente ou se você identificar que sofreu danos significativos, procure um advogado especialista em direito do consumidor e demandas aéreas. Ele poderá analisar seu caso, orientar sobre a melhor forma de agir e, se necessário, ingressar com uma ação judicial para buscar a indenização cabível.